Últimos assuntos
» Nossos Filhos nos Acusarão (legendado)
Dom 14 Abr 2013 - 14:16 por jerry

» UMA FAZENDA PARA O FUTURO
Qui 4 Abr 2013 - 20:30 por jerry

» Muito Além do Peso (2012)
Sab 16 Mar 2013 - 22:11 por jerry

» Quem se Importa (2012)
Seg 4 Fev 2013 - 22:52 por jerry

» Luto em Luta (2012)
Ter 22 Jan 2013 - 20:35 por jerry

»  The Suicide Tourist (2007)
Dom 15 Jul 2012 - 23:28 por jerry

» There's no Tomorrow
Sab 5 Maio 2012 - 22:47 por jerry

Votação

Para os que possuem TVs pagas: Você já aderiu ao sistema HD?

27% 27% [ 128 ]
23% 23% [ 107 ]
14% 14% [ 64 ]
25% 25% [ 116 ]
12% 12% [ 57 ]

Total dos votos : 472


O cotidiano de um policial no Brasil

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

O cotidiano de um policial no Brasil

Mensagem por Paulo em Sex 13 Nov 2009 - 19:07

Mal chego no destacamento para assumir o serviço e já recebo a notícia:

- Encontraram um corpo na beira da estrada. Aciona a polícia científica, comunica a Central e vamos para lá.

Mesmo para quem não conhece a região foi fácil chegar ao local, a cidade inteira já sabia do ocorrido e a multidão – quase fechando a rodovia – denunciava a localização. Sob um sol escaldante nos deparamos com a cena deveras desagradável: um homem aparentando no máximo 30 anos, com as mão amarradas para trás e o corpo crivado de balas (visualmente contei uns 10 tiros, quase todos na cabeça). Características óbvias de execução.

Apesar do cenário macabro, as pessoas queriam ver mais de perto, alguns tentavam mexer no cadáver, talvez impulsinadas por uma curiosidade mórbida e até mesmo um desrespeito com o morto (ainda que desconhecido). Como já estávamos no local, era nossa obrigação impedir que modificassem o cenário já modificado. Difícil, pois muitos em sua ignorância acreditavam que “só uma mexidinha” não atrapalharia a perícia. “E se for um parente meu?”, tentavam justificar. O pior é que não dava para ser enérgico com quem desobedecia a nossa ordem/pedido, a não ser utilizando um tom ríspido quando os alertas eram dados. Qualquer outra ação mais vigorosa geraria um tumulto que não poderia ser controlado, principalmente diante do reduzido efetivo disponível. É preciso bom senso por parte de nós policiais, já que o povo normalmente não tem. Uma curiosidade nesses casos é que sempre aparece um lençol e sempre ele é branco. Parece até que existe um papa defunto onipresente com seu cobertor pronto para envolver a matéria já em decomposição.

Depois de algumas horas sendo castigado pelo inconfundível calor do sertão nordestino, finalmente o rabecão e os peritos chegaram.

- Só nessa manhã já pegamos três corpos – justifica-se um dos técnicos.

A partir daí tudo foi muito rápido. Fotos, projéteis, cápsulas… Até o momento de por o corpo no famoso “rabecão”, apelido dado ao carro fúnebre. Nessa hora não faltaram voluntários para realizar tal tarefa. Uma manhã inteira em pé não chega a ser tão desgastante (mesmo debaixo de muito calor), mas o serviço só estava começando.

Pouco depois de almoçarmos um novo chamado dava conta de que um homem morrera afogado em uma das lagoas da área. Repetição do procedimento realizado anteriormente, aporrinhamento dos populares com o agravante de que alguns conheciam o morto e, sempre ele, um pano branco.

- Como é que isso foi acontecer!?

Um novo “castigo” enquanto aguardavámos os peritos, que dessa vez foram mais rápidos (ou menos devagar). Um deles comenta:

- Serviço movimentado, hein?

- Pois é, e logo mais ainda vai ter festa na cidade e a banda que vai tocar é a “Esfereográfica” – respondo.

- Vixe! Então hoje morre mais gente por aqui.

A banda mencionada normalmente inclui em seu repertório canções voltadas para o povão e seu estilo é uma mistura do axé, swingueira, funk, entre outros ritmos em que a letra tenha duplo sentido (algumas são explícitas mesmo) e suas coreografias igualmente pornográficas. Apesar (ou por causa) disso ela é bastante famosa e é possível ter duas certezas sobre suas apresentações: casa cheia e confusão.

A festa fora realizado na rua, na praça principal e logicamente lá estávamos atentos a qualquer problema durante o evento. Antes de começar, tudo tranquilo. Durante a folia, também reinava a paz. O negócio só complicou mesmo foi depois.

Fim de festa, muita gente embriagada, ânimos alterados… Começa o “show” .

Primeiro dois rapazes discutindo, quase saindo nos tapas. Um deles havia “dado em cima” (em outros tempos, cortejado) a mulher do outro. “Você vai pra lá e vocês dois vão pro outro lado ou então vamos resolver isso na delegacia”, disse o sargento. Intimidação, normalmente funciona. Os três preferiram encerrar a brincadeira por ali mesmo – sem precisar da “ajuda” da polícia – e seguiram caminhos diferentes.

Tão logo resolvemos essa ocorrência e já se vê um grande tumulto mais na frente. Cadeiras voando, garrafas quebrando, socos e pontapés. Ápice do espetáculo. Já não cabia mais verbalizar, o jeito foi “cair pra dentro” como costumamos falar. Bastão pra cima da turba, caboclo correndo, outros caindo. Detemos os mais exaltados, que disseram “só estar se defendendo”. Sei…

No caminho para a delegacia desligamos alguns sons automotivos. O engraçado é que foi só nos afastarmos para reiniciarem a competição de qual carro é capaz de tocar a pior e mais alta música. A paz só reinou mesmo depois que apreendemos uns dois veículos. Tem gente que só aprende da maneira mais dura.

Para finalizar a madrugada um roubo de carro. Seguimos em patrulhamento pelas estradinhas de barro, matagal e rodovias esburacadas até o amanhecer, mas infezlimente sem encontrar qualquer sinal dos ladrões ou do veículo. O difícil é retornar com as mãos vazias e perceber o descontentamento da vítima com um olhar que parecia dizer: incompetentes!

Fazer o quê? Também não gostei, estava exausto e faltava pouco para meu serviço se encerrar. Retornar são e salvo para minha família e aproveitar meu curtíssimo período de folga para posteriormente encarar mais um dia de intenso trabalho. Isso é a nossa rotina, isso é o diário de um pm.

Atenção! Essa é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com nomes, fatos, lugares e pessoas terá sido mera coincidência.


Fonte:
Diário de um PM

Realmente nao é fácil ser policial, pois é um serviço muito estressante. Pena que existam maus policiais por aí.
avatar
Paulo
Administrador

Masculino Mensagens : 3616
Data de inscrição : 06/04/2009
Idade : 53
Localização : São Paulo

http://visaoemfoco.ativoforum.com

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O cotidiano de um policial no Brasil

Mensagem por Mariza Frezza em Dom 15 Nov 2009 - 8:59

É uma profissão de fatos extremos. O policial deve estar preparado para estas situações, e ser remunerado a altura destes extremos, o que não acontece....nem bem preparado e nem bem remunerado.Sem estas duas condições, o passo seguinte é a corrupção, aí os maus policiais.

Mariza Frezza

Feminino Mensagens : 485
Data de inscrição : 26/10/2009
Idade : 64
Localização : Passo Fundo- RS

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O cotidiano de um policial no Brasil

Mensagem por Vânia em Dom 15 Nov 2009 - 11:15

Realmente, a rotina de um policial não é fácil...sei muito bem do que falo, conheço muitos policiais. Pena que entre os bons policiais existam os maus, mas isso acontece em todas as profissões e setores. Pena que são tão mal remunerados.

_________________
Quando você se sentir sozinho, pegue o seu lápis e escreva. No degrau de uma escada, à beira de uma janela, no chão do seu quarto. Escreva no ar, com o dedo na água, na parede que separa o olhar vazio do outro. Recolha a lágrima a tempo, antes que ela atravesse o sorriso e vá pingar pelo queixo. E quando a ponta dos dedos estiverem úmidas, pegue as palavras que lhe fizeram companhia e comece a lavar o escuro da noite, tanto, tanto, tanto… até que amanheça.

Rita Apoena
avatar
Vânia
Administradora

Feminino Mensagens : 4027
Data de inscrição : 07/04/2009
Idade : 53
Localização : São Paulo

http://visaoemfoco.blogspot.com/

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O cotidiano de um policial no Brasil

Mensagem por Lili em Dom 15 Nov 2009 - 11:39

E o mais frustrante nisso tudo, é a triste constatação de que nada disso vai mudar para melhor. É bem provável que aconteça o contrário, mude para pior.
avatar
Lili
Administradora

Feminino Mensagens : 4874
Data de inscrição : 08/04/2009
Idade : 55
Localização : Rio de Janeiro

http://visaoemfoco.blogspot.com/

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O cotidiano de um policial no Brasil

Mensagem por Mariza Frezza em Dom 15 Nov 2009 - 11:59

Tens razão Lili, e isto também não é previsão é constatação. Estes policiais lutam, na verdade, contra o crime organizado, é é exatamente isto que falta na polícia ORGANIZAÇÃO.
Eu moro, no interior, que também tem violência, mas não se compara a grandes cidades.
Tem ótimos policiais, como diz a Vania, e posso imaginar o que é trabalhar sob pressão diária, com o medo, e contra pessoas que não tem mais nada a perder e mata por matar.

Mariza Frezza

Feminino Mensagens : 485
Data de inscrição : 26/10/2009
Idade : 64
Localização : Passo Fundo- RS

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O cotidiano de um policial no Brasil

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum